Subia hoje as escadas do metro e encontro uma idosa sentada, com uma placa a seu lado onde pedia simplesmente que a ajudassem. Não invocava doenças, ou outras calamidades comummente usadas por quem se dedica a este tipo de vida, como doenças de filhos, desemprego, doenças ou malformações com o próprio, etc., etc., para tocar o coração do transeunte. Como já ouvi tantas histórias destas fico sempre na dúvida se é mesmo necessidade, ou apenas o contar “o conto do vigário” para poder assim levar uma vida sem grandes preocupações. Vida de ociosidade. Mas hoje até recuei e deixei uma moeda. Vi na cara daquela senhora que não havia ali maldade. Verdade? Mentira? Bem, procurei ajudar. Mas será que ajudei?
Algum tempo atrás ouvi uma história de uma velhinha, também velhinha, que andava a pedir, mas desta vez ia abordando as pessoas, pedindo uma moeda. Também fui dos que ajudei, pensei eu. Mais tarde ouvi o resto da história e, afinal o que ela pedia era para um neto que tinha lá em casa e que não queria fazer nada, mas obrigava a avó a pedir esmola para ele.
São apenas duas de muitas histórias à volta do tema, mas que me fazem reflectir. Por um lado a necessidade, que é fruto de algo que não está bem, ou está menos bem na nossa sociedade. Que atenção damos aos idosos que se vêm, abandonados, sozinhos, e com baixíssimas reformas ou sem elas e que têm que viver como qualquer cidadão? Afinal, não teremos nós, geração mais nova, que dar um pouco que seja, àqueles que tudo já deram por nós e para nós? Não são eles a razão do nosso estar hoje neste mundo? Não são eles que já viveram uma vida e que já passaram o que Deus sabe, para nós hoje sermos o que somos?
O idoso, pelo facto de ser idoso e de não trabalhar, por não poder, não passa a ser um farrapo, ou como muitos dizem, um fardo. Ele é uma pessoa que tem tantos direitos quanto qualquer outra pessoa ainda no activo. Ele é a sabedoria da vida. Não sabe das novas tecnologias, mas sabe e conhece os segredos da vida. Não percebe nada de informática, mas conhece os segredos e o íntimo dos filhos e daqueles que ajudou a criar. Não conhece os transportes, mas conhece os caminhos que levam ao amor. Não sabe, não conhece, não é de hoje, mas transporta em si toda uma vida de experiências, de vivências, de sabedorias, de conhecimentos e de saber ser e de saber fazer (o que muitos de nós hoje não podemos afirmar).
Quanto ao segundo caso, para não alongar mais esta reflexão, penso ser apenas fruto de uma má educação que hoje estamos a dar aos nossos filhos. Damos-lhes tudo o que pedem, mas não lhes damos o que precisam. Damos-lhes a comida no prato, mas não os ensinamos a preparar a comida. Damos-lhes o peixe no prato, mas não os ensinamos a pescar. Damos-lhes tudo feito, mas não os ensinamos que tudo exige esforço e que não cai do céu aos trambolhões. Estamos a criar “monstros” que apenas aprendem a ter direitos e não deveres.
Mas, centrando o tema, não esqueçamos que os idosos de hoje nos ensinaram ontem o que nós sabemos hoje. O mundo é o que é, graças a eles, que começaram a preparar os nossos caminhos de hoje. Não servem hoje, mas foram muito úteis ontem. São um estorvo hoje, mas foram o nosso amparo ontem. Eles ainda são os nossos pais, os nossos avós, os que nos deram a vida.
Senhor, ajuda-me a envelhecer serenamente e a ser capaz de aceitar essa condição da vida. Mas ajuda, Senhor, os homens e mulheres de hoje a olhar os idosos como pessoas, como Teus filhos, como fontes da Tua sabedoria.
Toca, Senhor o coração daqueles que têm autoridade, para que eles possam criar as condições necessárias para que os idosos possam envelhecer como pessoas.
Senhor, não Te peço muito, apenas que permitas que os idosos sejam olhados, acompanhados e tratados como tal. Ensina-me, Senhor, a nunca esquecer estas pessoas nas minhas orações.
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