“Jesus foi para o monte fazer oração e passou a noite a orar a Deus” (Lc 6,12). Interessante seria pensar que sendo Jesus, Deus, o Filho Encarnado e, estando unido ao Pai pelo laço da filiação Divina, a oração seria dispensável. Afinal, segundo a nossa concepção de oração, essa serve para manter a nossa relação com Deus. É a nossa forma de O escutar e de poder falar-Lhe. Parece uma forma ou uma fórmula apenas humana. Sendo Jesus Divino não precisava dela. Mas Ele também era humano e por isso tornou-a, pelo exemplo, a melhor e a mais sublime forma de relação com o Pai. Tomou-a para Si, para assim a tornar do Pai e ao Pai.
Se Jesus, sendo Divino, fez da oração a Sua nobreza junto do Pai, quanto mais nós que, sendo humanos e pecadores não lhe devemos ainda maior obrigação? É como o regar da planta que, fisicamente está unida à terra, mas precisa de algo que a aconchegue mais à terra, que a mantenha com tal humidade que assim se sinta confortavelmente unida à sua fonte de vida. Assim somos nós. Por herança somos filhos de Deus e estamos ligados a Ele. Mas essa ligação precisa de algo que a faça encharcar e manter intimamente ligada por um vínculo ainda mais forte. Algo que a torne num pântano (local não se consegue dissociar o que é água e o que é terra; tudo é uma só coisa) em que, tal como o homem bêbado, que não consegue separar-se do vinho que ingeriu, deixando-se guiar pela bebedeira, assim seja o homem pela oração a Deus. Ela deve ser o vinho que encharca por dentro e no final deixa de ser apenas uma vontade própria, mas uma acção Divina que dá brilho a essa vontade própria, a anima e lhe dá sentido. É ela que impulsiona o movimento da vida de quem a ela se entrega. Ela torna-se o cordão umbilical que liga o Criador ao criado, o Pai ao filho. É a seiva que alimenta e faz com que a vida renasça todos os dias e que assim se possa dizer: Obrigado, Senhor, por cada dia em que renasço em Ti e para Ti. Obrigado, Senhor, por seres tudo em mim.
A oração deve, assim, ser o alimento que nos mantém unidos a este Deus que se quer continuar a fazer sempre presente em cada um de nós.
Quando conseguir fazer da minha vida uma oração permanente, aí sim, posso afirmar como S. Paulo: Já não sou eu que vivo. És Tu, Senhor, que vives em mim.
Senhor, faz com que a minha vida se torne uma oração permanente. Faz com que eu saiba dialogar contigo e fazer de Ti o meu melhor ouvinte e conselheiro. Faz, Senhor, que pela oração eu saiba aceitar as minhas fraquezas e nessas eu possa ver a força que Tu és. Faz, Senhor, com que a minha vida só tenha uma finalidade: alcançar o Teu reino de paz e de amor.
Nenhum comentário:
Postar um comentário