segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Olhar-me antes de criticar o outro

Jesus lembra-nos a necessidade de ver a trave no nosso olho, em vez do argueiro no do outro. Poderíamos pensar imediatamente que é um exagero. Mas na nossa sociedade de hoje é precisamente isto que vivemos. Quão fácil é encontrar defeitos nos outros. Quão fácil é apontar ao outro os seus caminhos errados. Quão fácil é ver que o outro o que está mal (pelo menos para a nossa concepção do mal).
E eu, quando consigo deixar a minha cegueira para com as minhas atitudes? Quando consigo ser um pouco egoísta e egocêntrico (sim, porque não é erro quando acontece para corrigir) e colocar-me diante do espelho e ver que afinal o erro está em mim? Não afirmo que apenas temos erros, mas que todos os temos é a pura das verdades.
Quando conseguir parar, olhar-me e dizer que não tenho erros, aí sim, estou em condições de julgar os outros. Só que isto nunca acontece, pois quem pode afirmar isto? Ninguém. O ser humano é a melhor e a maior semelhança com o criador, excepto no pecado. Recordo a passagem do evangelho da mulher adúltera, em que Jesus Cristo apenas remete para isto mesmo: cada um olhe para si e se não tiver nada de errado, então atire a pedra. Quantos foram os que atiraram pedras? Nenhum.
Que belo seria este mundo se cada um de nós procurasse fazer BEM a sua parte e consciente de que também tem telhados de vidro e coisas a mudar, começasse por essas, em vez de criticar os outros. Que bom seria este mundo se em cada erro que encontramos no outro o olhássemos como nosso e o corrigíssemos em nós, em primeiro lugar. Que bom seria se, antes de falar eu escutasse mais. Que bom seria se em cada diferença no outro eu a visse em mim.
Senhor, ensina-me a escutar mais antes de gritar. Ensina-me a tornar-me como a solução e não o problema. Ensina-me, Senhor que o outro que eu acho que está errado, afinal é também Teu filho e meu irmão e, afinal quem está errado sou eu, pois o único que pode julgar alguém és Tu.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

A vida

Recebi hoje uma história, daquele professor que entregou a cada aluno uma folha branca, com um ponto negro ao centro, e pediu que cada um falasse sobre o que tinha sobre a mesa. Todos falaram do ponto negro, esquecendo a folha branca. Afinal a folha era bem maior que aquele ponto e como essa é comum em suas vidas, ela tornou-se irrelevante, centrando eles a sua atenção no ponto. Ora, a nossa vida é isso mesmo. Ela é a folha branca que Deus nos coloca diante. Mas a essa já nem ligamos, pois é comum. Importantes são os momentos que vivemos. Mas será que são apenas esses os importantes? Esses são os que completam o puzzle que constitui a totalidade da folha. É efectivamente de pequenos momentos, de pequenos nadas, de pequenos encontros e desencontros que a nossa vida se compõe. Mas importante é não perder de vista que a folha ainda em branco é dom de Deus, é dádiva que temos que preencher de tantos quantos os necessários “pontos negros”. Mas, quando a vemos como dádiva de Deus ela deve ser respeitada e vivida na sua essência como dom e por isso mesmo ela deve ser santificada em cada momento. E, quando a vivermos na sua plenitude, aí sim, podemos olhar para trás e bendizer a Deus pelo mais maravilhoso dos dons, a vida, a folha em branco com que Ele nos quis brindar.
Bom Pai, eu Te quero hoje louvar em toda a Tua plenitude, pois concedeste-me o grande dom que é a vida. Hoje posso cantar-Te e louvar-Te porque tudo colocaste a meus pés para que em tudo eu pudesse ver a Tua imagem, para que em tudo eu pudesse tocar a Tua pessoa, para que em tudo eu pudesse sentir a Tua presença, para que em tudo eu soubesses que Tu lá estavas.
Senhor, Tu que És o Senhor da vida, ensina-nos a tomá-la como Tua e a saboreá-la como Tua, pois ela é Tua e para Ti volta um dia.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

A oração

“Jesus foi para o monte fazer oração e passou a noite a orar a Deus” (Lc 6,12). Interessante seria pensar que sendo Jesus, Deus, o Filho Encarnado e, estando unido ao Pai pelo laço da filiação Divina, a oração seria dispensável. Afinal, segundo a nossa concepção de oração, essa serve para manter a nossa relação com Deus. É a nossa forma de O escutar e de poder falar-Lhe. Parece uma forma ou uma fórmula apenas humana. Sendo Jesus Divino não precisava dela. Mas Ele também era humano e por isso tornou-a, pelo exemplo, a melhor e a mais sublime forma de relação com o Pai. Tomou-a para Si, para assim a tornar do Pai e ao Pai.
Se Jesus, sendo Divino, fez da oração a Sua nobreza junto do Pai, quanto mais nós que, sendo humanos e pecadores não lhe devemos ainda maior obrigação? É como o regar da planta que, fisicamente está unida à terra, mas precisa de algo que a aconchegue mais à terra, que a mantenha com tal humidade que assim se sinta confortavelmente unida à sua fonte de vida. Assim somos nós. Por herança somos filhos de Deus e estamos ligados a Ele. Mas essa ligação precisa de algo que a faça encharcar e manter intimamente ligada por um vínculo ainda mais forte. Algo que a torne num pântano (local não se consegue dissociar o que é água e o que é terra; tudo é uma só coisa) em que, tal como o homem bêbado, que não consegue separar-se do vinho que ingeriu, deixando-se guiar pela bebedeira, assim seja o homem pela oração a Deus. Ela deve ser o vinho que encharca por dentro e no final deixa de ser apenas uma vontade própria, mas uma acção Divina que dá brilho a essa vontade própria, a anima e lhe dá sentido. É ela que impulsiona o movimento da vida de quem a ela se entrega. Ela torna-se o cordão umbilical que liga o Criador ao criado, o Pai ao filho. É a seiva que alimenta e faz com que a vida renasça todos os dias e que assim se possa dizer: Obrigado, Senhor, por cada dia em que renasço em Ti e para Ti. Obrigado, Senhor, por seres tudo em mim.
A oração deve, assim, ser o alimento que nos mantém unidos a este Deus que se quer continuar a fazer sempre presente em cada um de nós.
Quando conseguir fazer da minha vida uma oração permanente, aí sim, posso afirmar como S. Paulo: Já não sou eu que vivo. És Tu, Senhor, que vives em mim.
Senhor, faz com que a minha vida se torne uma oração permanente. Faz com que eu saiba dialogar contigo e fazer de Ti o meu melhor ouvinte e conselheiro. Faz, Senhor, que pela oração eu saiba aceitar as minhas fraquezas e nessas eu possa ver a força que Tu és. Faz, Senhor, com que a minha vida só tenha uma finalidade: alcançar o Teu reino de paz e de amor.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Deus é presente

A igreja convidava-nos, ontem, a celebrar o dia da beata Teresa de Calcutá. Só esta referência nos remetia para algo muito grande: o espelho vivo do que é o amor de Deus. Sim, porque venha lá quem vier, não pode nem é capaz de negar que esta alma foi a imagem do Deus vivo na terra dos vivos. Alguém pode acusar esta mulher de ser uma “impostora” ou uma charlatã? Não! Não é possível, pois Deus manifestou-se aos homens do século XX na simplicidade, na doação, na obediência desta mulher. Em cada passo que ela deu, uma pegada de Cristo sofredor ficou indelevelmente marcada. Em cada rosto que ela tocou, uma caricia de Deus se sentiu. Em cada pobre que ela acolheu, a presença de Cristo ficou. Em cada gesto que ela teve, uma brisa de Deus por ali passou.
Perante a sua simplicidade, humildade e entrega, os homens poderosos se inclinaram e escutaram a sua voz, a sua mensagem, que mais não era que a mensagem do Evangelho. Cristo veio ao mundo, voltou a falar ao mundo pela voz simples de uma mulher simples, que mais não quis do que espalhar a simplicidade, não a sua, mas a de Deus.
Hoje Deus continua a falar aos homens, mas os homens não O escutam. Hoje que o mundo se curva apenas perante as dificuldades económicas, Deus parece estar distante. Deus não cabe no coração empedernido dos homens da modernidade. Deus fala amor e os homens falam economia e uma coisa não é compatível com a outra. Deus é Deus e o homem é o homem. O homem vê o perecível, o material. Deus quer ver o coração. O homem vê o imediato. Deus quer ver a plenitude. O homem vê a satisfação imediata. Deus quer ver o que forma o homem. O homem é terreno e não se quer aproximar de Deus. Deus é o Divino e quer tornar-Se terreno, presente no coração e na vida de cada homem.
Senhor, à semelhança da humildade da Tua serva, a beata Teresa de Calcutá, ensina-me a olhar o interior de cada homem, em vez do seu exterior. Ajuda-me a compreender que por detrás das debilidades de cada pessoa há um Tu que se quer tornar num Homem. Por detrás de cada homem há um ser que é Teu, ó Pai.
E, neste mundo cada vez mais corrompido pelo desamor, ensina-me a ser perseverante e a continuar a acreditar que por detrás de cada homem estás Tu, Bom Pai e que precisas da minha presença neste mundo para ser o sinal do Teu amor a cada um de nós.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Ser idoso não é ser estorvo

Subia hoje as escadas do metro e encontro uma idosa sentada, com uma placa a seu lado onde pedia simplesmente que a ajudassem. Não invocava doenças, ou outras calamidades comummente usadas por quem se dedica a este tipo de vida, como doenças de filhos, desemprego, doenças ou malformações com o próprio, etc., etc., para tocar o coração do transeunte. Como já ouvi tantas histórias destas fico sempre na dúvida se é mesmo necessidade, ou apenas o contar “o conto do vigário” para poder assim levar uma vida sem grandes preocupações. Vida de ociosidade. Mas hoje até recuei e deixei uma moeda. Vi na cara daquela senhora que não havia ali maldade. Verdade? Mentira? Bem, procurei ajudar. Mas será que ajudei?
Algum tempo atrás ouvi uma história de uma velhinha, também velhinha, que andava a pedir, mas desta vez ia abordando as pessoas, pedindo uma moeda. Também fui dos que ajudei, pensei eu. Mais tarde ouvi o resto da história e, afinal o que ela pedia era para um neto que tinha lá em casa e que não queria fazer nada, mas obrigava a avó a pedir esmola para ele.
São apenas duas de muitas histórias à volta do tema, mas que me fazem reflectir. Por um lado a necessidade, que é fruto de algo que não está bem, ou está menos bem na nossa sociedade. Que atenção damos aos idosos que se vêm, abandonados, sozinhos, e com baixíssimas reformas ou sem elas e que têm que viver como qualquer cidadão? Afinal, não teremos nós, geração mais nova, que dar um pouco que seja, àqueles que tudo já deram por nós e para nós? Não são eles a razão do nosso estar hoje neste mundo? Não são eles que já viveram uma vida e que já passaram o que Deus sabe, para nós hoje sermos o que somos?
O idoso, pelo facto de ser idoso e de não trabalhar, por não poder, não passa a ser um farrapo, ou como muitos dizem, um fardo. Ele é uma pessoa que tem tantos direitos quanto qualquer outra pessoa ainda no activo. Ele é a sabedoria da vida. Não sabe das novas tecnologias, mas sabe e conhece os segredos da vida. Não percebe nada de informática, mas conhece os segredos e o íntimo dos filhos e daqueles que ajudou a criar. Não conhece os transportes, mas conhece os caminhos que levam ao amor. Não sabe, não conhece, não é de hoje, mas transporta em si toda uma vida de experiências, de vivências, de sabedorias, de conhecimentos e de saber ser e de saber fazer (o que muitos de nós hoje não podemos afirmar).
Quanto ao segundo caso, para não alongar mais esta reflexão, penso ser apenas fruto de uma má educação que hoje estamos a dar aos nossos filhos. Damos-lhes tudo o que pedem, mas não lhes damos o que precisam. Damos-lhes a comida no prato, mas não os ensinamos a preparar a comida. Damos-lhes o peixe no prato, mas não os ensinamos a pescar. Damos-lhes tudo feito, mas não os ensinamos que tudo exige esforço e que não cai do céu aos trambolhões. Estamos a criar “monstros” que apenas aprendem a ter direitos e não deveres.
Mas, centrando o tema, não esqueçamos que os idosos de hoje nos ensinaram ontem o que nós sabemos hoje. O mundo é o que é, graças a eles, que começaram a preparar os nossos caminhos de hoje. Não servem hoje, mas foram muito úteis ontem. São um estorvo hoje, mas foram o nosso amparo ontem. Eles ainda são os nossos pais, os nossos avós, os que nos deram a vida.
Senhor, ajuda-me a envelhecer serenamente e a ser capaz de aceitar essa condição da vida. Mas ajuda, Senhor, os homens e mulheres de hoje a olhar os idosos como pessoas, como Teus filhos, como fontes da Tua sabedoria.
Toca, Senhor o coração daqueles que têm autoridade, para que eles possam criar as condições necessárias para que os idosos possam envelhecer como pessoas.
Senhor, não Te peço muito, apenas que permitas que os idosos sejam olhados, acompanhados e tratados como tal. Ensina-me, Senhor, a nunca esquecer estas pessoas nas minhas orações.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O amor

Na liturgia do próximo domingo, o XXIII do tempo comum temos duas expressões algo diferentes, mas com o mesmo sentido. S. Paulo aos Romanos lembra-nos a necessidade de apenas uma coisa ser útil ao homem; o amor. « Não devais a ninguém coisa alguma,
a não ser o amor de uns para com os outros…».
Já S. Lucas lembra a necessidade do perdão mútuo. Ora, perdão e amor são duas palavras, mas uma só significação, pois não pode haver amor sem perdão, nem perdão sem amor.
Se Deus nos criou Seus herdeiros, Seus filhos adoptivos, semelhantes a Ele, excepto no pecado, o que de mais maravilhoso podemos aspirar senão cumprir o Seu mandamento maior, o do amor?
Na linguagem moderna, quando se fala de amor somos imediatamente catapultados para a dimensão humana deste sentimento: o amor carnal. Mas não é, ou devia ser este também expressão do amor maior? Só que cabe aqui a imperfeição do homem. O amor é cada vez mais, fugaz, momentâneo, transitório e, passa imediatamente a fazer parte do passado. (não generalizemos, pois nem todos assim pensam e agem). O amor é reescrito com outra palavra: prazer. E a espécie humana está a desviar-se para esta nova forma: o prazer efémero. Para quê dar ao amor o seu verdadeiro sentido quando esta condição implica compromisso, esforço? Estamos a viver o tempo do mais fácil, do mais imediato, do que é efémero e daquilo que não pode deixar marcas e, que mais que tudo, não pode comprometer.
Apesar desta tendência do fácil, ainda temos uma proposta concreta, a do Evangelho, para quem quiser construir uma vida verdadeiramente alicerçada no Amor maior. Deus ainda Se continua a fazer presente e ainda quer permanecer como referência para o homem. Ele continua a estender a Sua mão, a oferecer-Se em cada Eucaristia, em cada homem que O quer continuar a levar aos outros. Ele continua a ser o sinal do verdadeiro amor.

Numa sociedade que é cruel e que quer marginalizar quem não seguir a corrente, como posso ser sinal do verdadeiro amor que é Deus? Como posso ser diferente, sendo igual, mas carregando uma mensagem de esperança? No meu local de trabalho sou sinal de perdão ou pratico o desamor? Na minha família permito que Deus se faça presente? A minha vida reflecte o meu egoísmo ou transpira em Jesus Cristo?

Senhor, quero hoje rezar-Te na maravilha do Teu amor e quero cantar-te com S. Paulo e como S. Paulo fez aos Coríntios:

Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos,
se não tiver amor, sou como um bronze que soa
ou um címbalo que retine.
Ainda que eu tenha o dom da profecia
e conheça todos os mistérios e toda a ciência,
ainda que eu tenha tão grande fé que transporte montanhas,
se não tiver amor, nada sou.
Ainda que eu distribua todos os meus bens
e entregue o meu corpo para ser queimado,
se não tiver amor, de nada me aproveita.

O amor é paciente,
o amor é prestável,
não é invejoso,
não é arrogante nem orgulhoso,
nada faz de inconveniente,
não procura o seu próprio interesse,
não se irrita nem guarda ressentimento.
Não se alegra com a injustiça,
mas rejubila com a verdade.
Tudo desculpa, tudo crê,
tudo espera, tudo suporta.

O amor jamais passará.
As profecias terão o seu fim,
o dom das línguas terminará
e a ciência vai ser inútil.
Pois o nosso conhecimento é imperfeito
e também imperfeita é a nossa profecia.
Mas, quando vier o que é perfeito,
o que é imperfeito desaparecerá.
Quando eu era criança,
falava como criança,
pensava como criança,
raciocinava como criança.
Mas, quando me tornei homem,
deixei o que era próprio de criança.

Agora, vemos como num espelho,
de maneira confusa;
depois, veremos face a face.
Agora, conheço de modo imperfeito;
depois, conhecerei como sou conhecido.
Agora permanecem estas três coisas:
a fé, a esperança e o amor;
mas a maior de todas é o amor. (1Cor 13,1-13)

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Creio em Ti, Senhor.

No evangelho de hoje Simão Pedro aceita fazer a vontade do Senhor «Mestre, trabalhámos durante toda a noite e nada apanhámos; mas, porque Tu o dizes, lançarei as redes.» É precisamente aqui que reside a entrega, a fé. Porque Tu o dizes eu acredito. Porque Tu o dizes eu aceito a vida tal como ela é. Porque Tu o dizes…
Neste «Tu», colocamos tudo e todos em quem confiamos, tudo e todos em quem acreditamos. É um «Tu» que está distante, mas que se faz próximo no outro com quem vivemos e convivemos. É um «tu» que se faz presente no que sofre, no que está feliz, no que parte, no que chega, no que está aqui, no que está ali. Enfim, no outro que é um «outro Cristo» que comigo caminha, que comigo se faz presente.
Ainda há pouco tempo falava com um amigo que se o homem não existisse, Deus também não existiria. É uma afirmação difícil de entender. Afinal parece que Deus, aquele que tenho que ver no outro próximo se subordina ao homem, quando afinal é o contrário. O homem é a subordinação máxima de Deus. Mas sendo a subordinação máxima é «a menina dos Seus olhos», aquele que vem completar a Sua obra Divina, aquele em quem Deus Se pode contemplar, como ao espelho, e em quem Ele pode apreciar toda a Sua humanidade. Apesar da sua imperfeição, o homem torna-se o reflexo da perfeição de Deus, que É o Tudo da perfeição, o Tudo em todos; O TUDO.
Mas, como crente, como vejo este Deus naquele que está a meu lado? Olho-o apenas na sua imperfeição? Olho-o apenas porque tenho interesse em o olhar? Olho-o apenas porque me tenho que desviar dele? Olho-o apenas porque serve os meus interesses?

Senhor, hoje e agora, neste dia que Tu quiseste que eu saboreasse eu Te quero louvar e quero olhar cada homem como um Tu que faz parte integrante da minha vida. Eu quero, Senhor dar-Te graças porque permitiste que, como Simeão, os meus olhos vissem a salvação que está em cada homem, quando os vejo como um «Tu». Eu quero louvar-Te, Senhor, porque colocaste a vida a meus pés, não importa se numa situação de sofrimento ou não, mas sim porque a colocaste para eu viver. Ela é Tua, Senhor. Porque creio em Ti, devolvo-ta com o melhor que eu souber e puder. Permite-me apenas, Senhor, que eu saiba sempre dar sentido a essa vida. Ela é Tua, e por ser Tua, é plena.
Obrigado, Senhor!