Jesus lembra-nos a necessidade de ver a trave no nosso olho, em vez do argueiro no do outro. Poderíamos pensar imediatamente que é um exagero. Mas na nossa sociedade de hoje é precisamente isto que vivemos. Quão fácil é encontrar defeitos nos outros. Quão fácil é apontar ao outro os seus caminhos errados. Quão fácil é ver que o outro o que está mal (pelo menos para a nossa concepção do mal).
E eu, quando consigo deixar a minha cegueira para com as minhas atitudes? Quando consigo ser um pouco egoísta e egocêntrico (sim, porque não é erro quando acontece para corrigir) e colocar-me diante do espelho e ver que afinal o erro está em mim? Não afirmo que apenas temos erros, mas que todos os temos é a pura das verdades.
Quando conseguir parar, olhar-me e dizer que não tenho erros, aí sim, estou em condições de julgar os outros. Só que isto nunca acontece, pois quem pode afirmar isto? Ninguém. O ser humano é a melhor e a maior semelhança com o criador, excepto no pecado. Recordo a passagem do evangelho da mulher adúltera, em que Jesus Cristo apenas remete para isto mesmo: cada um olhe para si e se não tiver nada de errado, então atire a pedra. Quantos foram os que atiraram pedras? Nenhum.
Que belo seria este mundo se cada um de nós procurasse fazer BEM a sua parte e consciente de que também tem telhados de vidro e coisas a mudar, começasse por essas, em vez de criticar os outros. Que bom seria este mundo se em cada erro que encontramos no outro o olhássemos como nosso e o corrigíssemos em nós, em primeiro lugar. Que bom seria se, antes de falar eu escutasse mais. Que bom seria se em cada diferença no outro eu a visse em mim.
Senhor, ensina-me a escutar mais antes de gritar. Ensina-me a tornar-me como a solução e não o problema. Ensina-me, Senhor que o outro que eu acho que está errado, afinal é também Teu filho e meu irmão e, afinal quem está errado sou eu, pois o único que pode julgar alguém és Tu.