sexta-feira, 18 de setembro de 2015

O sorriso de uma criança

Vinha hoje nos transportes para o trabalho, como todos os dias, envolto nos meus pensamentos, sozinho, sim, sozinho, pois numa cidade grande como Lisboa, tão grande que ninguém se conhece, os transportes vêm cheios de ilustres desconhecidos. Cada um envolto no seu mistério, como se fosse único naquele espaço. Cada um ignorando que há vida além da sua. Mas isto é tão natural que quando algo foge a este ritmo passa a ser uma anormalidade. Se alguém ousa meter conversa com o vizinho, logo o pensamento de cada um vai para que aquela pessoa não bete bem. Enfim, as consequências trágicas da evolução/regressão sociológica.
Mas hoje, eis senão quando levanto os olhos e reparo numa criança ao colo de sua mãe, com um pão numa mão e a outra, simplesmente dizendo adeus às pessoas. Também eu fui interrompido nos meus pensamentos; olhou para mim, sorriu, sim, sorriu e disse adeus. Eu sorri e respondi àquela ternura, dizendo também adeus. Ela continuou a sua missão de espalhar sorrisos.
Interessante como a inocência de uma criança nos fala tão alto e nos apaga qualquer mau sentimento, mau pensamento ou qualquer preocupação.

Obrigado, Senhor, porque Te serves da inocência para nos trazer à vida, Te serves da pureza e simplicidade dos pequenos para nos acordar. Obrigado, Senhor, por aquele sorriso que preencheu aquele momento e o meu dia e me obrigou a sorrir. Obrigado, Senhor, pelo sorriso desta criança e deste gesto tão simples, mas tão nobre. Obrigado, Senhor!

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