Estava hoje a pensar numa situação que me aconteceu, em que tive
necessidade de usar esta expressão.
Interessante como a usamos tantas vezes e não a reflectimos, como era o
meu caso. Ora, ao parar tive necessidade de explicar o porquê desta expressão.
Na vida de cada um existem momentos bons e momentos menos bons. Dos
bons, normalmente não falamos, mas dos maus temos sempre referências menos
boas. E é isso que nos faz relembrar a expressão.
Claro que quando necessitamos de levar uma palavra ao outro a expressão
tem um peso e uma actualidade imensurável, até porque há que dar ânimo ao que
passa por momentos menos bons. Mas quando nos toca a nós essa verdade
transforma-se apenas numa verdade para os outros. É aí que a sua actualização
se trona necessária.
Porquê é que isto me aconteceu?
Antes via a porta totalmente aberta e a luz que de lá vinha era de tal
forma intensa e plena que quando a porta se fecha tenho os olhos com tal
claridade que me impede de ver a pouca claridade que de lá irradia. É a janela
que se abre, mas como a sua luz é mais fraca que a da porta, é a luz da porta
que me ocupa e tolda o ser. Não consigo ver mais nada. É aí que surge o porquê.
É necessário que, após o fecho da porta, eu tenha a capacidade de
apagar a luz que acabou e permitir ao meu ser olhar e vislumbrar a pouca luz,
mas que por ser pouca não deixa de ser luz, e é essa a que se torna importante
nesse momento.
É como olhar o sol e imediatamente após procurar ver as estrelas; elas
não aparecem, mas estão lá. O que preciso é da capacidade para mergulhar no meu
íntimo, por alguns instantes, e permitir depois o vislumbrar das estrelas,
olhar e apreciar o seu brilho.
É como a maré cheia que me impede de ver a beleza que se esconde do que
lá estava antes. É necessário deixar que a maré vaze, de forma tão natural
quanto possível, para depois poder apreciar a beleza que agora aparece e que
antes estava escondida.
Como em tudo na vida, e nada acontece por acaso, é necessário ser
ponderado, calmo, expectante, sereno e aguardar com serenidade o desenrolar dos
acontecimentos. Eu não posso forçar o meu crescimento, não posso forçar o dia
de amanhã, que até pode nem chegar. O que posso é ser paciente e aguardar o
brilho que se esconde por detrás daquilo que parecem ser as trevas.

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