sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Hoje não sou eu que escrevo, é minha filha. No meu aniversário recente ela deu-me, como já vai sendo hábito, um texto com uma foto de fundo, a qual não reproduzo por motivos obvios. Acho que minha filha tem uma forma de escrita muito própria e muito forte. É muito profunda.
Quero partilhar este belo e muito significativo texto.

Acontece às vezes que, sem me aperceber, dou por mim a pensar nos “se...”. Dou por mim a olhar para trás, e para diante e para o momento, e para o que nunca foi ou para aquilo que talvez nem nunca chegue a ser. Penso apenas, e sinto. E volto a pensar e por vezes reflicto, e falo, e refilo e arrependo-me e volto atrás, ou se calhar nem tanto atrás, se calhar volto apenas a mim, ao hoje, ao que sou e a quem muito (ou tudo) devo e sabes … apareces sempre tu! Em qualquer momento, em qualquer passado, presente ou futuro, em qualquer fui, sou ou serei. E porquê? Porque sim, porque é inevitável e porque assim quero que continue, porque tu és e fazes parte de mim, mais do que nunca, mais do que sempre, fazes parte; fazes parte e não é só pelo sangue, pela genética ou hereditariedade, por aquilo que dizem que nos liga; é sim porque tu és como o meu coração (para aqueles que dizem que é o coração o centro do nosso corpo, aquilo que nos faz viver), ou como o meu cérebro (para os outros que poem o cérebro no lugar do coração). Porque tu és os dois desde que isso represente a essência do meu ser, desde que isso mostre o quão depende sou de ti (e de uma forma mesmo saudável), como um vício bom e que sem ele já não posso mais viver. E porque às vezes as palavras enganam, porque por vezes quando fluem são mal interpretadas ou lhes é retirada a devida importância ou verdade. Mas sabes, quanto a mim eu não tenho dúvidas, sei que se elas fluem e voam para este papel é porque são mesmo sentidas e têm de ser ditas, escritas, deixadas num registo em que possam ser varias vezes consultadas se isso for necessário, porque é o meu coração a falar da forma que consegue, porque se Ele me pega na mão e me sopra ao ouvido eu tenho de Lhe fazer a vontade porque sei que é o que devo fazer, porque sei que Ele sabe que é isso mesmo que eu quero dizer, e também sei que Ele sabe que nunca existirão palavras, sons ou gestos suficientes para representar aquilo que foste, és e sempre serás para mim.
 Porque tu és mais que uma das razoes de eu poder estar a escrever isto; porque tu és mais do que a razão de tudo isto que eu estou a sentir e que é tão puro e verdadeiro; porque tu és mais que o meu ídolo; porque tu és mais que o meu exemplo; porque tu és mais do que aquele que quando está triste me faz ficar triste também; porque tu és mais do que aquele que quando, por razões desconhecidas, certas palavras aparecem em sítios e alturas erradas e me fazem chorar por te terem acertado e ferido de uma forma que nunca quis nem quero; porque tu és mais que um pai, que um amigo ou irmão; porque tu és mais que tudo e porque tu és aquele que quando eu penso nos “se…” me faz perceber que se há “se…” na minha vida que me fazem fraquejar, o “se tu não existisses…” é o que me faz tremer de uma forma incontrolável e me faz perceber que “se tu não existisses…” (independentemente da genética e biologia humanas) eu também não conseguiria mais viver!
! AMO-TE PAI !

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

O advento dos homens


Falamos em advento e a maioria dos homens não sabe o que é. Falamos em Natal e todos os homens sabem o que é. São as contradições da humanidade. É que ao Natal todos associam prendas, quer sejam crentes, cristãos ou não. Mas se dissermos que o advento é a preparação para o Natal, os cristãos sabem o que é e procuram que esse tempo seja mesmo de advento, de espera, de esperança, de preparação interior para o nascimento de Jesus Cristo.
Ora e não vivem também advento aqueles que não acreditam ou que mesmo acreditando ignoram o verdadeiro sentido do advento? É isso! Todos vivem este tempo numa enorme euforia para fazer as compras de natal, as prendas. Não estão eles a preparar o natal? Claro que o natal que preparam é o natal profano, o natal do consumismo. Mas esquecem-se que esse natal que preparam só existe porque existe o Natal de Jesus Cristo e esse não é, de todo, um tempo de compras, mas um tempo de vendas. É um tempo de vender, ou deitar fora tudo o que oprime, tudo o que é fútil, tudo o que é excesso, tudo o que leva o homem à perdição, tudo o que ocupa espaço indevido. É um tempo para arrumar a casa e criar espaço para que o verdadeiro Natal aconteça. É um tempo para preparar o coração para a chegada daquele que só Ele pode preencher na totalidade o coração de cada homem. Só Ele consegue preencher o coração e a vida do homem sem que passe “de validade” ou que o seu tempo passe, ou que seja substituído por uma nova tecnologia ou que fique velho e caduco ou que mesmo se acabe por esquecer.
Cristo é o único que mantém actualidade e que é motivo para que se “profanizem” certas datas. É o caso do advento. Todos o vivemos e todos nos preparamos para o Natal. Não sabemos o seu sentido, mas sabemos que é tempo dele, é tempo de encher os bolsos a uns quantos que se aproveitam do advento e de outras datas cristãs para impingir e fazer crescer os seus negócios. Não critico quem tem uma porta aberta e faz do negócio o seu ganha pão. Critico sim que se aproveitem daquilo que é mais genuíno, a fé e a ela nada deem.
O advento é para os homens mas ele só faz sentido se for vivido com e para Deus. O advento faz sentido quando for uma caminhada sincera que me relança na relação com Deus, que me leva a responder ao apelo continuado de Deus: Vem!