Todos os dias ouvimos que a quaresma é um tempo forte, um tempo para a oração interior, para o recato, para a interiorização. É verdade. Mas e se disséssemos que a quaresma é um excelente tempo para a revolta, não seria mais apropriado?
Sim, é um óptimo tempo para revolta interior, um tempo para rever o que está mal e voltar à harmonia. É que revolta pode ser lido com re-volta, regresso à harmonia, ao encontro pessoal, com Deus e com os irmãos. É que quando falamos num regresso, não podemos falar num retrocesso, mas sim num avanço, pois esta re-volta tem que ser a procura do eu, a procura do eu que Deus criou e a quem Deus continua a estender a mão e a dizer constantemente: “Tu és meu filho, Eu hoje te gerei” Act 13, 33. E neste “Eu te gerei” está contido TODO o amor que Deus tem por cada um de nós e nesse amor está toda a entrega d’Ele por nós através de Seu Filho, Jesus Cristo. É que nessa entrega está a importância que o homem tem para Deus. Ele é o fruto mais “perfeito” de Sua criação e por isso mesmo é aquele de quem Deus cuida com carinho, com amor. Deus sofre pelo sofrimento de cada um de nós e por isso nos pede que re-voltemos a olhar para esse sofrimento. Ele é fruto da ruptura que nós criamos para com Deus. É precisamente o pecado, o nosso pecado que nos afasta de Deus e pede que paremos, que façamos esta re-volta à harmonia.
É tempo da re-volta, do re-olhar para o belo que Deus coloca, diariamente no nosso caminho, na nossa vida, e ver quão harmonioso é o caminho oferecido por Deus. É tempo de parar e re-visitar cada encontro que aceitamos, com Deus. É tempo de parar e re-colocar a nossa mão e a nossa vida na mão estendida de Deus. É tempo de re-entender que somos criação, que somos a criação mais desejada e querida por Deus, que somos e fomos criados à Sua imagem e semelhança.